Amor em Tempo de (In)Tolerância


A revista Time desta semana, que na versão europeia trás na capa um barco de emigrantes ilegais à deriva no Mediterrâneo, tem uma reportagem onde podemos ler qual a situação dos emigrantes ilegais nos países do sul da Europa.

Claro que Portugal não está referido neste texto, por um lado porque o país não é tão atractivo para os emigrantes do norte de África como França ou Itália e porque também a viagem é mais longa. Raramente aparecem barcos de emigrantes ilegais na costa do Algarve vindos do Norte de África. Normalmente eles chegam a Portugal por via terrestre através de Espanha.

É muito interessante ver como os países estão a lidar com o excesso de população emigrante e quais as medidas para tentar controlar este fluxo migratório. E também ver como a população reage à entrada destas pessoas. Nem sempre da melhor forma. A crise financeira que a Europa atravessa, ligada à arte de bem receber e costume bem mediterrâneo de resolver as questões bem lentamente, assim como a tendência dos países latinos de ser muito flexíveis na aplicação das leis, conduziram esta questão para uma situação bizarra e insustentável.  É bem mais fácil trabalhar e viver na Europa do Sul ilegalmente do que de forma legal…a burocracia é tanta que facilmente se desiste de legalizar a situação.

Nesta reportagem são abordados os casos de Itália, Espanha e Grécia durante esta última década. A França ficou de fora. Acho que só o caso da França dava uma reportagem inteira!!!

Para quem gostar destes temas, aqui fica a ligação à reportagem online, que é apenas uma parte do que está na edição impressa.

Time , March 1, 2010

Sim, estou viva…com algumas dificuldades para escrever no blog, mas estou viva sim!

Recebi o selinho “Esse blog é faraônico”, da Marina, à uns dias atrás e quase, quase não vou a tempo de poder participar na brincadeira dela.

Selinho Blog Faraónico

Segundo a brincadeira tenho que indicar três blogs amigos e responder à pergunta : “Acreditas que um amor verdadeiro pode começar na internet?

Ora, não vou indicar mais nenhum blog agora, pois como já estou bem atrasada, todos aqueles que gostaria de indicar já o foram de uma forma ou de outra. Será que posso indicar 3 leitoras habituais aqui do meu espaço?

A Pitusca, a Maria e a Lu. Elas não tem blog, então pode participar no link da Marina mesmo.

Agora…se eu acredito que um amor verdadeiro pode começar na net…

Bem, acredito que o amor pode surgir em qualquer situação. Na internet  também!  Existem histórias maravilhosas de pessoas que se encontram no mundo virtual, a da Marina é uma delas, assim como o de outras muitas meninas que estamos aqui nesta bolha do mundo dos blogs. Basicamente o amor nasce através da comunicação, seja ela escrita, oral, visual…Sempre que os seres humanos tem a capacidade de comunicar e interagir uns com os outros, é possível despertar sentimentos e sensações. Claro que através da net se podem mascarar mil e uma situações, a mentira se torna mais fácil e ludibriar o outro está apenas à distância de um click…e isso acontece muitas, muitas vezes. Tal como na vida real, temos que acreditar no nosso coração, mas também usar a nossa cabeça nestes casos.

Meus pais viram o seu amor crescer após um breve encontro e pela comunicação existente na altura entre o oceano atlântico: muitas cartas e alguns telefonemas. Eu vivo o meu amor através da internet e posso dizer que praticamente o conheci assim, através dela. Por isso, como poderia não acreditar!!??

Em um Mundo em constante mutação, nem sempre podemos contar que os nossos planos corram como o previsto.

Neste ano, em que supostamente deveria ir até à Tunísia em Janeiro para oficializar o casamento pelo civil, em que eu regressaria a Portugal para esperar por ele até ao meio do Outono, um ano de intensa actividade e felicidade …nada parece ser o que queríamos que fosse.

Pela Tunísia, as noticias não facilitaram a vida aqui ao casal…e aqui por Portugal, não está fácil deixar a família desamparada. Curiosamente, e apesar das duas famílias estarem ao corrente e a favor do casamento, são os nossos deveres para com eles que nos levam a adiar uns meses mais a celebração do nosso casamento. Se por um lado são questões do foro político e económico, por outro, é a doença oncológica de um dos progenitores.

São assuntos sérios, que nos alteram a rotina dos dias…Até agora as coisas, que pareciam estar a correr bem, tiveram umas surpresas nada positivas, e na casa ouvem-se murmúrios nas altas horas da madrugada. Murmúrios de pais preocupados com a sua mortalidade, com os filhos que não quer deixar, com os projectos que não quer deixar a meio. Murmúrios dos filhos, que não querem perder o pai tão novo, que querem ainda discutir muitas vezes com ele, poder discordar e fazer cara feia. Por vezes, a esperança é dificil de encontrar. E é também nestes momentos que percebemos melhor a cadência dos dias…

Mas a Primavera está a despontar…e Fevereiro um mês de comemoração cá em casa. Este ano iremos comemorar os 33 anos que esta família tem. E não tenciono baixar os braços. Vamos ter festa, e ando à procura de inspiração!!

Por outro lado, também ando a ver coisas para o casamento na Tunísia. O que inicialmente era para ser um casamento simples (sendo o que entendo por simples: ir à conservatória, assinar os papeis, vir até casa, jantar com a família e amigos mais chegados) passou a ser um casamento SIMPLES ( com direito a vestidão, cabeleireiro, maquilhagem, músicos, festança….). Pois…..mesmo, mesmo nada ao meu estilo! Mas, casamento na Tunísia para a família tunisina, tunísino est!! Casamento em Portugal, para família portuguesa, português est!

Resumindo, ando a tentar encontrar um vestido que não seja tão “espectaculoso” lá na Tunísia. E a ter dores de cabeça com os quilos de maquilhagem que me vão querer impingir lá. Assim sendo, preciso de aprender rapidamente como se diz, em árabe lá do Magrebe, ” não quero mais maquilhagem, por favor!!!”

Ora vejam lá se não tenho razões para ficar atenta!! lol

Muito discreta!!

Outros olhos bem discretos

Vestido azul

Vestido rosa

Noiva Tunisina

Nestas coisas todas, a única que estou desejosa de cumprir é a cerimónia de aplicação de henna. Arte linda e delicada, que inclusivé já foi header neste blog:

Henna by fraegdegjevar

Sim, isto está a ajudar a passar o tempo. E faz o meu pai rir-se muito com as minhas preocupações “arábicas”. E em imaginar-me nestes trajes, nada, nada condizentes com o meu estilo pessoal…

E é muito bom ver o meu pai sorrir……….

…e este é mesmo, mesmo das arábias, pois é escrito por uma amiga portuguesa que foi trabalhar para a Arábia Saudita no inicio deste ano. Vamos acompanhar? Passem por lá, que ela está a começar e de certeza vai postar coisas bem interessantes sobre a nova vida dela, com abaya incluída!

Visitem Eu no Reino!

Uns dias de descanso muito bons, principalmente quando temos a oportunidade de estar com amigos e de conhecer outros.

Realmente sou muito afortunada. Na minha vida vão surgindo pessoas muito especiais que nem sempre sei exteriorizar o valor que lhes atribuo.

Infelizmente, e para salvaguardar a identidade das pessoas com quem estive, não posso contar detalhes, mas como podem adivinhar este blog é a força que nos juntou, mas que de nada valeria se realmente não houvesse um forte empatia, como uma das meninas tão bem disse.

Fiquei também a saber que existe pelo menos uma mãe atenta que acompanha este blog, o que me deixou por um lado muito contente e por outro lado com um peso enorme sobre os ombros! Meu Deus, nunca pensei que o blog fosse chegar assim até às pessoas e muito menos que duas pessoas se juntassem e falassem dele!  Fiquei muito feliz, sem esquecer que agora sinto uma responsabilidade maior…vou tentar não me esquecer disso da próxima vez que tiver uma lacuna criativa! Obrigada Mãe e Filha ! Vocês sabem quem são!

Existe também uma menina super querida, cheia de ideias malucas, com um relógio biológico totalmente diferente do meu, a quem eu devo agradecer muito.

Foi com ela que partilhei estes doces maravilhosos…e um chá de menta que me fez sonhar com o deserto!

Baklawa

Realmente, no meio de tantas notícias menos boas que o último ano foi pródigo, tenho que admitir que estas são boas notícias.

Apenas tenho pena que fiquem um pouco longe de mim, mas parece que já encontrei estadia para tornar as minhas visitas menos ocasionais e mais económicas!

Obrigada meninas!

Cá em casa estamos a preparar-nos para andar também às voltas com outro calendário. E este foi um óptimo achado o ano passado. E este ano não poderia deixar de o comprar novamente. É o calendário “Celebração do Tempo” publicado pela Paulinas Editora, uma editora de uma comunidade cristã paulina, direccionada para a publicação de textos religiosos e evangelização. è também editado pelo ACIDI, Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural.

Neste calendário está registado o ano civil,todos os feriados e datas civis importantes em Portugal ou na Comunidade Europeia. E…todas as datas importantes para Católicos, Ortodoxos, Hinduísmo, Judaísmo, Islamismo,Chineses, Budismo e Fé Bahá’i.

Este calendário é a tentativa de familiarizar a comunidade para as diferentes datas festivas das várias comunidades religiosas e também como fonte de esclarecimento, pois em cada mês, sempre que se observa um dia especial numa dada religião, existe um pequeno texto para elucidar quanto a esse acontecimento.

Aqui seguem algumas fotos!

Celebração do Tempo

Pormenor do calendário

Pormenor do calendário

Claro que no caso dos calendários que se baseia nas fases da lua, poderá haver ligeiras oscilações nos dias, mas já são datas muito aproximadas.

É uma ferramenta muito útil para eu nunca me esquecer de dar as felicitações na hora certa, caso contrário acontece como o ano passado, que andava sempre a perguntar quais as próximas festividades ao A.

Com o aumento exponencial da presença de muçulmanos na Europa, maioritariamente emigrantes e oriundos de países com costumes e tradições bem diferentes das dos países que escolheram para viver, o Islão começa a ter uma projecção maior.

Nem sempre pelas melhores razões, infelizmente.

A  França vai avançar com aquilo que já se esperava, a proibição do uso do rosto totalmente tapado, quer com o uso da Burka ou niqab. Ou seja, a mulher islâmica pode usar hijab pois permite a sua identificação, mas não outro tipo de cobertura que não permita a sua identificação. Também os homens que obriguem as mulheres a utilizar este tipo de vestuário serão penalizados.

O projecto de lei ainda não foi aprovado, mas é altamente provável que o seja.

Também existe a discussão sobre a percentagem das mulheres que realmente usam este vestuário na França e se realmente ele é uma imposição islâmica ou um costume tribal, regional ou de um regime político.

O que acham disto? Uma lei perfeitamente de acordo com a sociedade francesa/europeia, região que essas mesmas pessoas escolheram para viver e como tal tem que seguir as leis locais, ou uma tentativa francesa de manter a “paisagem” francesa o menos islâmica/muçulmana possível?

Mais informações aqui, aqui e aqui.

P.S: Já em Setembro de 2009, na Itália, na cidade de Montegrotto Terme, passou a ser proibido as mulheres apresentarem-se publicamente com burKa ou qualquer outro tipo de vestuário que impeça a identificação. Segundo o presidente da cidade em questão, “[A burka] torna difícil e até impossível reconhecer ou identificar a pessoa que está a usar; é um comportamento que não pode ser aceite em democracias ocidentais, onde o primeiro dever do cidadão é transportar um documento de identidade”, defende Luca Claudio.

Muito obrigada a todas as que me contactaram nesta altura das festas e que demonstraram aqui ou pelo mail a vossa preocupação e carinho.

É verdade que não estou a passar uma fase muito feliz na minha vida e que ando a ponderar uma quantidade enorme de aspectos que gostaria de ver modificados. Calma, calma, está tudo bem com o meu tunisino! Mas a nossa vida não é só a componente romântica. Existe a família, o trabalho, as nossas aspirações pessoais…

É muito bom saber que continuam ai e com vontade de vir comentar este cantinho tão abandonado ultimamente. Andava com pouca vontade de escrever, de falar sobre a Tunísia ou sobre o assunto deste blog e cheia de saudades de um outro blog que eu tive antes deste. Infelizmente não me ando a sentir muito satisfeita com a minha profissão, ando seriamente a pensar sair da “zona de conforto” mas realmente é um passo muito grande e não sei se terei a coragem para isso. É dificil dar este salto…tenho medo de falhar e deitar tudo a perder, até mesmo porque não tenho muitas certezas.

Este foi um ano dificil para as finanças em Portugal e penso que o próximo será ainda pior, o que não facilita esta tomada de decisão. Estamos também pendentes de saber se a saúde do meu pai consegue resistir ao duro golpe de 2009 e também que a mãe do A. viaje até França para visitar o seu filho e possa regressar à Tunísia para  fazermos o casamento.

Outra coisa que me tem mantido afastada daqui é que andava à procura de uma solução para o meu dilema. Quero fazer post sobre coisas que nada tem a ver com a problemática do amor entre culturas, religiões e países diferentes. Sobre as outras coisas da minha vida e de que eu sinto tanta falta de escrever. Então andava à procura de um blog que fosse dois em um, ou seja, com uma página para o “Camila Construindo Pontes” e outra para o “Camila’s Corner”, mantendo a unidade da identidade, mas separando as águas. Ora…procurei, procurei…e o mais próximo que consegui encontrar foi o Weebly, e fiz um blog para experiência lá o Camila’s Corner. O único problema é que não consigo exportar os post do wordpress para lá, então estou assim um pouco atrapalhada com isto!

Mas também não quero esperar resolver esta questão para retomar o meus post, então vou criar duas categorias principais no blog, para separar os temas, e assim que conseguir encontrar a solução, aperfeiçoo a página. Como o domínio camilaconstruindopontes.com é meu, poderei utilizar onde bem entender, por isso não me vão perder o rastro!

E vocês, que pensam disto tudo?

Tenho sentido saudades do meu outro blog em que falava de tudo e não de apenas do móbil deste blog.

Tenho andado ocupada a pesquisar um local onde gazer um blog dois em um…

Tenho andado a dar mais atenção à minha familia e às leituras…

Tenho andado a trabalhar mais…

Tenho andado a fazer balanços…

Tenho andado a sofrer…

Mas quero que 2010 seja melhor!!!!

Para todos os que celebram o Natal, que estes dias sejam repletos de coisas boas, de bons momentos com a família e de muito amor.

Para quem não celebra o Natal…bom fim de semana prolongado…

Com votos de muita felicidade, desta vossa amiga que tem andado escondida mas não desaparecida!

Estrela de Natal Rosa, Holanda 2009

Quem aqui vem sabe qual é o motor deste blog. Está ai, na barra lateral.  Não é fácil…

Na tentativa de melhor entender o Islão, fui fazendo buscas intensas durante este ano e meio. Desde livros até à internet. E por causa dela encontrei alguns blogues que agora sigo com bastante atenção e carinho. E mostram-me um lado do Islão que quero respeitar, que embora sem acreditar, aprendo a respeitar e a admirar. Alguns dos mitos que povoavam a minha cabeça, acabaram. Os meus amigos mais próximos já devem estar cansados da minha “propaganda” ao verdadeiro Islão, que eu lhes asseguro não ser violento, terrorista,carrasco da liberdade feminina e intolerante. Talvez isso se deve à minha necessidade de apaziguar os seus corações. Talvez lhes esteja a querer dizer que não precisam ter medo do A. Que é apenas mais um casal multicultural como tantos outros em Portugal.

Mas é uma luta inglória. E muitas vezes sinto.me muito triste e frustrada. Porque parece que muitos muçulmanos gostam de me contradizer. ok, já sei, estão a rir-se de mim neste exacto momento!!! Passo a explicar…

Um dos contactos que entretanto fiz na tentativa de conhecer o Islão foi através de um fórum. Expliquei a minha condição de cristã e que pretendia aprender um pouco sobre a doutrina islâmica. Logo me falaram com o tom paternalista e generalista (que odeio) que querer aprender sobre o Islão levava irremediavelmente à conversão. Insisti que não era esse o propósito. Apenas conhecer um pouco mais, para melhor me relacionar com os que me rodeiam e tentar perceber um pouco mais. Voltaram a insistir, com o mesmo tom paternalista. Detesto tentativas de conversão. Seja para que ideologia religiosa!!

Mas continuei a ir ao fórum. Para ver os conselhos dados aos muçulmanos, para acompanhar as notícias, para ver debates de temas que me interessavam….e para ver ódio, rancor, palavras amargas contra o meu país e contra a minha religião.

Discussões inúteis que levam a lado nenhum. Porque todas as religiões tiveram e tem os seu “guerreiros em nome de Deus”.  Chamem-lhes Cruzadas, Inquisição, Terroristas, perseguições, assassínios…todo causado pela ganância, ódio a algo que é diferente, recusa em aceitar pessoas de fora, recusa em ver grupos da população ganharem maior destaque político e financeiro.

As pessoas que compõem o Cristianismo não são, nem foram, nem serão perfeitas. Tais como as que pertencem ao Budismo, Judaísmo, Islamismo, Hinduísmo…e todas as outras confissões religiosas. Eu sou responsável por mim e pelos meus actos, e apenas isso. Será sobre eles que irei apresentar contas no Dia do Juízo Final. Não sobre pecados alheios nem injustiças passadas.

Deixei de ir ao tal fórum. Por vezes vou lá, mas mais do que esclarecida, saio de lá  triste e desiludida. Nunca entrei em discussão lá, porque sinceramente achei que era perda de energias. Além disso, que não está bem muda-se, não é? E eu cansei-me da intolerância e de como se sentia sempre atacada ao ler as coisas que lá estavam escritas.

Não esperava que se falasse bem do Cristianismo…mas não esperava que se falasse mal, que se atacasse. Não concebo a religião assim!

Mas deve ser erro meu! Ao avaliar pela quantidade de pessoas que trilha o caminho contrário!!!

Por vezes penso se o Islão que algumas pessoas me falam, que aquele Islão que eu gostaria de poder aprender a conviver existe ou não. Se será uma ilusão de meia dúzia de pessoas que como eu acreditam que pode existir uma convivência pacífica, ou se é apenas uma tentativa minha da “ocidentalização” ou “europeização” do Islão.

Um dia, antes de toda esta minha história começar, li que não existiam muçulmanos moderados. Que isso era um termo inventado para os ocidentais dormirem descansados. Que apenas existiam um tipo de muçulmanos e que seriam todos muito mais próximos dos regimes de terror que infelizmente tem sido noticia nos últimos anos do que aquilo que entendemos por “moderados”.

Ora, eu não acredito nisso! Não pode ser! Como podem milhões de pessoas pensar e querer agir assim?

Eu acredito que as religiões professam o amor a Deus, ao próximo. O respeito pela vida humana.

Sei que existem muitos fóruns de outras religiões. Sei que muitas pessoas que professam a religião Cristã também estão a destilar ódio pelo Islão. Aliás, a Marina que o diga, está constantemente a ser atacada.

E junto-me a ela para repetir o que uma pessoa comentou no seu blog :

Não há religião que vença a burrice!

E o ódio, e a hipocrisia…

Porque é que nos odiamos tanto, se adoramos o mesmo Deus? Se os nossos valores fundamentais são os mesmos?

Não podemos concordar em discordar em várias matérias e continuar as nossas vidas em paz e harmonia??

Coexist

Coexist

P.S. Este post já foi escrito montes de vezes. Estava em rascunho à uns tempos. Acabei por apagar tudo cuidadosamente escrito e soltar o coração! E continuo a gostar de pessoas! Sejam cristãs, muçulmanas, judeus, budistas….são pessoas!

Muito obrigada a todas as meninas que deixaram comentários de apoio aqui no blog. Foram palavras muito simpáticas e é bom saber que alguém se preocupa em deixar umas linhas de apoio. No meio de tanto coração duro, é bom saber que mesmo sem me conhecerem na vida real, há pessoas que se preocupam e pensam em mim.

Eu mesma já me surpreendi várias vezes pensando naqueles pedacinhos de vida que vocês partilham aqui ou nos vossos blogues. Pensar nas circustâncias das vossas vidas e como por vezes as coisas são complicadas. Pensar como eu faria se estivesse no vosso lugar.

Por isso o meu muito obrigada. Por me ajudarem a pensar. E por saber que não estou só.

Foto by angel5ive83

Há um ano atrás, mais dia menos dia, dei início a este blog.

Por ele e com ele, conheci algumas pessoas. Algumas apenas virtualmente, nunca ouvi a sua voz, com outras troco coisas simpáticas pela net, vou estabelecendo algo que se encontra na barreira entre a amizade virtual e a amizade in loco,outras consigo conhecer pessoalmente! O blog que serve para eu manter a minha sanidade na luta contra as saudades do meu amor foi a alavanca para uma amizade, que espero manter por muito tempo. Uma amizade que surgiu por uma situação similar nas nossas vidas, que entretanto deixou de existir, infelizmente. Mas a amizade manteve-se e é muito importante para mim, pois ela percebe algo na minha vida que mais ninguém percebe tão bem…hehe.

Aprendi, e continuo a aprender muitas coisas com os blogs que acompanho. Coisas sobre o Islão, sobre países e culturas diferentes, sobre relacionamentos, sobre a natureza humana…principalmente, aprendo muito sobre mim.

Descobri que os momentos em que menos escrevo no blog é quando tenho mais trabalho, quando ando triste e desmotivada…e quando problemas sérios aparecem na minha vida. Descobri, que tal como em outra experiência de 3 anos em outro blog, nunca me contento com o aspecto do blog, acho sempre que pode mudar, e ainda não encontrei nenhuma solução (grátis) que se adequa ao meu ideal. Já andei a pesquisar em outros locais, como o multiply , mas não…not yet.

Descobri o que é a desilusão com os assuntos burocráticos. Apesar de ser o nosso objectivo, o A. não virá passar o Natal e Ano Novo connosco. Não conseguimos contrato de trabalho. Não conseguimos o visto turístico. Terei que lá ir para fazer o casamento civil e regressar sozinha para Portugal enquanto espero por ele…e isso faz-me sentir muito desanimada. Mais do que eu gosto de admitir. Não planeávamos uma distância tão grande entre todos estes nossos passos. Não estou animada com o casamento lá.

Seria de esperar estar contente, desejar que o dia chegasse…mas não consigo deixar de sentir um vazio e uma tristeza. Muitas pessoas me perguntam detalhes, como será o(s) vestido(s), as cerimónias e como será tudo…e eu não sinto a ansiedade nem o contentamento de uma noiva.

Primeiro porque sou mais celtibérica do que possam pensar, depois porque…que dizer se para mim isso não será o MEU casamento?

O MEU casamento é partilhado com a minha família, os meus amigos mais chegados, na capelinha da minha aldeia junto ao rio, com bacalhau na ementa da boda e um bolo de noiva no fim com champanhe. Porque o MEU casamento é aquele em que a partir daquele dia passo a viver com o meu marido e não embarcar num avião e esperar poder ir ver-lo de 2 em 2 meses até que os papeis fiquem prontos. Que pelos vistos demoram, até ver, 9 meses…o tempo de ter um bebé.

Quero fazer o casamento lá, claro, até porque quero que ele também tenha o SEU casamento, com as SUAS tradições, que a sua família fique feliz por cumprir todas as etapas necessárias para sentirem que o seu filho e irmão está realmente casado. E isso é uma satisfação, uma alegria que quero proporcionar à minha nova família!

E sei que no meio da celebração DELE e da MINHA, iremos ter uma celebração NOSSA. E apenas por ter a certeza disso é que vale a pena continuar. Porque no nosso caso, haverá sempre um recanto da nossa vida espiritual  que será só minha, só dele e em alguns pontos, apenas alguns, será NOSSA.

 

Não sei se será normal eu me sentir assim. Não sentir exaltação por vestidos dourados e montes de adornos…mesmo que sejam os do casamento! Mas é que realmente aquelas coisas não são nada o meu estilo!!! São interessantes, o meu lado antropológico e etnográfico vem ao de cima, mas é apenas isso.

 

Talvez não esteja a ajudar o facto de estarmos cá em casa com um problema de saúde grave. O meu pai está com um problema oncológico, que nos tem dado muitas preocupações, muito trabalho…e muita angustia. Temos esperança…mas não deixa de ser muito perturbador.

E neste momento, com visto ou sem visto, com trabalho ou sem trabalho, casados ou não, eu queria que o A. estivesse cá.

 

E não tenho fotografias para ilustrar isso…

Não sei se são as saudades, se é o tempo frio e outonal. Se será da proximidade do Natal e das festas em família, se apenas um coração que anseia o seu para…na verdade é que andamos numa fase de “fazer o ninho”!

E como é que fazemos o ninho, estando cada um de cada lado do mar?  Simples!!!

Através do IKEA!

Passo a explicar: eu entro no site do IKEA em português, ele no site em francês, existem pequeninhas diferenças no preço, mas são sempre muito parecidos, por isso ficamos na mesma onda…e vamos escolhendo como decorar a casa!

É divertido. Seria melhor in loco, mas…é divertido e passamos tempos nisto!

Algumas coisas que estão no nosso top de escolhas…hehehe

 

Ikea Bedroom Classic White

Quarto em Branco

ikea_kitchen_3

Cozinha

Ikea_Kitchen_by_zigshot82

Mais uma cozinha

ikea-bedroom-in-blue

Um quarto muito ao estilo SIdi Bou Said..hehe

 

“-Tio, lembras-te da Camila?

-Sim querida, lembro-me, porquê?

-Porque eu tenho saudades dela. Quando é que ela vem cá outra vez? Para irmos passear e eu ir para a praia ver o mar outra vez! Ela demora muito??

- Hehe…sim, ainda vais demorar um bocadinho. E agora não podemos ir para o mar, já não está tão quente e os teus pais estão a trabalhar na escola, é tempo de aulas outra vez.

-Oh!! está bem…mas ela podia vir na mesma! E diz-lhe para ela me trazer presentes outra vez, que eu gosto!!!”

 

A mesma menina que me grita no Skype : “CAMILA!!!!” e com a qual eu apenas troco olhares e cumplicidades surdas e mudas, quer que eu volte para a Tunísia para lhe levar presentes. Se por acaso o tio se esquecesse de mim, a sobrinha não deixava…

Se não me sobrassem motivos para lá ir, este seria um bem forte só por si!

E o meu coraçãozinho fica pequeno, pequenino…

father_and_daughter_by_raal04

Photo by Raal04

 

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